Banco Alimentar a favor da fome

(Antes de mais, este texto não serve de ataque às pessoas que procuram ajudar o próximo. Serve sim para expor a forma errada como o estamos a fazer. Forma esta que nos faz parecer autênticos hamster a correr na rodinha pensando que quanto mais energia doarem à mesma, mais longe vão chegar.)

Esta época do ano, a par de toda a febre consumista, é marcada pelas inúmeras ações de solidariedade/caridade. Recorrendo ao passado, podemos afirmar que tais metodologias não servem para resolver o problema social. Servem sim para atenuar e perpetuar este atentado aos direitos e deveres do Ser Humano.

“Solidariedade é o substantivo que indica a qualidade de solidário e um sentimento de identificação em relação ao sofrimento dos outros”.Sofrimento irá sempre existir. No entanto, a meu ver, a prioridade deveria ser sim o combate às causas da pobreza e não, somente, às consequências da mesma.

Perpetuar a pobreza

Não se combate a miséria camuflando-a com donativos.

Actualmente, não se ataca a raiz do problema. As instituições existentes limitam o seu foco às consequências provenientes das desigualdades sociais. Fazendo uma analogia: sabemos que a erradicação da pobreza deveria ser feita a laser, no entanto limitamo-nos a raspá-la com uma gilete (muitas vezes das descartáveis).

Somos induzidos, à porta do supermercado, a ajudar o Banco Alimentar pensando que estamos a realizar uma boa ação. Quando, na verdade, estamos a ser cúmplices na aceitação da pobreza como sendo algo normal. E achamos que comprar um pacote de arroz nos fará ficar de consciência tranquila e com o sentimento de missão cumprida.

Ninguém é obrigado a ser solidário

Enquanto a pobreza for “combatida” através da caridade daqueles que não têm esse dever, nunca iremos assistir a um real combate por parte do Estado – o verdadeiro responsável. Imaginemos que, amanhã, todas as pessoas deixam de contribuir com donativos para as inúmeras instituições. Como seria? Iríamos aumentar a pobreza? Provavelmente sim. Por isso é que não podemos permitir que o direito à dignidade esteja assente na boa vontade de cada um. Os impostos avultados que pagamos ao Estado devem salvaguardar este flagelo.

Têm de existir pobres?

Neste modelo capitalista sim. Afinal de contas, quantos pobres são precisos para fazer um rico? Vários certamente.

A pobreza é um dos mecanismos mais eficazes no que toca ao controlo social. Afinal de contas, quem é que tem medo de ir lá parar? Todos nós. A simples ideia de que podemos ser “mandados” para a pobreza leva-nos, cegamente, a obedecer às normas em vigor. Somos, ordeiramente, induzidos a aceitar as coisas tal e qual como elas são simplesmente porque “as coisas são mesmo assim”.

Não poderemos erradicar a pobreza enquanto a aceitarmos como sendo algo normal e que “faz parte”. Devemos sim exigir aos nossos governantes a responsabilidade de promover políticas que garantam a inclusão social de todos sem exceção.

A prioridade são as pessoas. Não são nem os bancos nem os “mercados”.

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