1º Aniversário 25 de Abril – Liberdade vem de fora para dentro ou de dentro para fora?

O 25 de Abril nos dias de hoje é como ir ao batizado de um primo afastado em Trás-os-Montes, celebramos porque tem de ser. No entanto, para o País do “faz de conta”, é suficiente. Isso porque, no seguimento do “parecer em vez de ser”, o que importa é parecer que vivemos em democracia e somos livres! Mas o que é isso de ser livre? Se podermos escolher apenas entre as hipóteses apresentadas será que temos livre escolha? Temos liberdade de expressão quando nos deixam falar, mas não deixam que ninguém nos oiça? Vivemos tempos ilusórios! Tempos estes em que chamamos democracia a uma ditadura multifacetada. Multifacetada porque, ao contrário do Estado Novo em que existiam “inimigos” bem identificados, agora ninguém sabe: quem é quem, quem faz o quê, como e onde. E, como em qualquer guerra, para combater o inimigo é preciso que ele esteja identificado. Já a liberdade de expressão é tida como poder dizer o que se quiser quando bem apetecer. Parece-me uma definição curta quando uns apenas podem expressar-se de 4 em 4 anos enquanto outros expressam-se diariamente e anaforicamente nos nossos meios de formatação.

Vemos a corrupção mascarada de incompetência, a má distribuição disfarçada de escassez e a miséria travestida de austeridade. “Nem tudo o que parece é”, diz, e muito bem, o nosso povo. Não é por parecer que vivemos democraticamente que é realmente isso que temos. Mas faço aqui o mea culpa: temos uma vontade real de ser livres? Acreditamos numa sociedade livre? Queremos, ao menos?

A liberdade não advém, somente, de uma revolução política. Seremos livres quando revolucionarmos a nossa consciência, a nossa mente e as nossas energias. O 25 de Abril, na sua génese, quis dar uma vida melhor às pessoas. No entanto, e não descurando a sua nobre intenção, veio apenas democratizar o oportunismo e o chico-espertismo. Foi como dar um Ferrari a alguém que acabou de tirar a carta.

A consciência das pessoas não acompanhou, individualmente, a revolução material que se sucedeu. Mantivemos a ganância, o egocentrismo, a inveja e o preconceito. A ditadura do interesse individual prosseguiu. E tudo isto graças à nossa ignorância. Ignorância essa que desperta o medo que, por sua vez, faz com que o nosso eu mais primitivo se erga. E assim entramos nesta correria infinita tendo como pista a sobrevivência. E, melhor ainda, dizemos que queremos o melhor para os nossos filhos quando, na verdade, limitamo-nos a perpetuar este ciclo vicioso em que estamos inseridos. Porquê? Porque, para além de não sabermos que sabemos fazer diferente, temos medo de ser diferentes. O diferente não é bem aceite pelas restantes pessoas. Não ser bem aceite faz-nos sentir desenquadrados. Estar desenquadrado baixa a nossa autoestima. Falta de autoestima leva-nos a ter mais medo. E quem tem medo não consegue ser livre. O conflito é interno… será que vivemos uma crise do “eu”? Certamente.

Do “eu” e não só: crise económica, crise financeira, crise política, crise ambiental, crise nervosa, crise moral, crise de qualquer coisa. A realidade é que temos mais diversidade de crises do que de vontades políticas ou mesmo conteúdos televisivos. Mas, diversidade à parte, todas elas têm em comum o facto de não serem abrangentes. No entanto, existe uma que, ao contrário do bom senso, toca a quase todos: a crise da meia-idade. Elliot Jaques, criador do termo “meia-idade”, utilizou-o para descrever a insegurança que alguns indivíduos sentem entre os 40 e os 60 anos quando se apercebem que a juventude (física e/ou psicológica) se está a esmorecer. Posto isto, mais do que assinalar os 41 anos de Abril, impõe-se celebrar o primeiro aniversário da crise de meia-idade do 25 de Abril! A idade avança e com ela o cabelo recua, até à calvície plena. Com o 25 de Abril tem sido semelhante, ora não fosse ele um quarentão, mas neste caso vão recuando a moral, os valores e os direitos até ao estado em que estamos.

Enfim, temos (deveríamos) de assinalar a data. Mais que não seja para massajar o PIB com um aumento do consumo de cravos.

“A Revolução também passa por seres um bom Pai, um bom Filho, um bom Amigo, um bom Cidadão, um bom Homem.” Keidje Lima (Valete)

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