28º Campeonato Nacional de Escrita Criativa – Jornada 2

Brincalhão, atrevido e esperto
Baltazar era o melhor cão para partilhar teto
Fazer as necessidades? Sempre na rua!
Dora passeava-o ao nascer do sol e da lua

Até que um dia, Baltazar desapareceu
Dora desgostosa, pobre rapariga só chora
Onde será que Baltazar se meteu?
Ninguém percebia porque se tinha ido embora

Dora tinha perdido o seu fiel companheiro
Já não sorria, sentia falta do seu rafeiro
Tinha saudades até das idas ao veterinário
E de poder tirar a trela do armário

Quando já ninguém acreditava, Dora não desistia
O sonho comanda a vida e por isso ela obedecia
Ela sabia que o Baltazar havia de aparecer
E a sua voz interior não a deixava esmorecer
E dizia:

Sonha, Dora
Vais encontrar o Baltazar
Sonha, Dora
Tudo bem, é como isto vai acabar
Sonha, Dora
Dora, sonha!

E ela sonhava, a dormir e acordada
Apesar de preocupada, tentava relaxar
A preocupação não serve de nada
Para quê se pré-ocupar?

Saiu porta fora à procura do seu Baltazar
Foi d’Algés até à estação d’Alcântara-Mar
Até agora, a coisa não estava a correr bem
Será que Baltazar estava na Torre de Belém?
Talvez no Padrão, Museu dos Coches ou CCB
Ai Baltazar! Mas tu fugiste porquê?!

O seu grande sonho era encontrar Baltazar
Mas por alguma razão, o Universo não estava a ajudar
Ainda assim, Dora não parava de tentar!
E quando a força parecia faltar
A sua voz dizia:

Sonha, Dora
Vais encontrar o Baltazar
Sonha, Dora
Tudo bem, é como isto vai acabar
Sonha, Dora
Dora, sonha!

Descia acelerada a Calçada da Ajuda
Quando Dora encontrou a sua vizinha Pilar
Viu-a carregada e perguntou: “a vizinha quer ajuda?”
E a senhora respondeu: “não, deixe estar”
Pilar viu que Dora estava meio atribulada
“Que se passa menina, anda preocupada?”
“Foi o desaparecimento do Baltazar que me deixou assim”
“Desaparecimento? Ainda agora o vi em Belém no jardim!”
“Obrigado vizinha, vou para lá já e depressa!”
“Não tem de quê menina. Ora essa!”

Dora só queria curar esta f’rida
Chegou a Belém num instante, mas que grande corrida!
E lá estava ele, na esplanada dos pastéis de nata
Ao colo de um senhor alto, de fato e gravata
Toda a esplanada ria quando ele dava a pata
Afinal Baltazar não tinha fugido, estava onde fazia falta

Tudo bem, foi como isto acabou
E foi com esta história que se provou
Que um sonho sem fé e suor nunca se realizou!

J2

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s