OPACO

Foi tão fácil querer tudo. Sem regras nem excepções, só com vontade. Quis correr uma maratona em velocidade de sprint e dar a volta ao mundo sem sair do meu prédio. A ânsia de não ter parecia ambição e o stress era a cara chapada do entusiasmo. Parecia tudo tão “tem de ser assim”. Segui pela rua das conquistas, sem passadeiras nem pasmaceiras.

Agarrei-me ao precipício da preguiça. Estaria a precipitar-me? Estava no topo e nem topava que a gravidade me puxava para dentro. Oh se puxava! Revirei os olhos para me observar e não gostei do que vi. Acendi as luzes, mas continuava escuro. Não nego que o negro não me ficava bem. Sempre achei que a escuridão assentava melhor na tela das estrelas.

Era tudo para ontem e para hoje nada ficou. O tempo a correr e eu a ver, sem conseguir andar. Suponho que não fiz o que era o suposto, mas precisava de subir de posto. Estou de luto enquanto luto e não preciso de ter lata. Gostos não se discutem, no entanto não consigo parar de barafustar com os meus. Foram os amores à primeira vista que mais me cegaram. E agora, apesar de querer ver, continuo a ser o pior cego. Não porque quis, mas porque o universo assim o entendeu.

Estou rodeado do que fui adiando. Para quê levar a meta mais além quando a corrida já vai longa? Alguém me diga qual a saída mais próxima. Se ao menos os tijolos fossem transparentes! É sempre mais fácil fugir quando se sabe o que está para lá dos muros opacos.

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