“Parabéns pela coragem!”

Decidir fazer um voluntariado internacional é algo pouco comum. Não é nem melhor nem pior do que outras coisas. É sim um objectivo que, sem dúvida, faz parte do imaginário de muita gente. Por ser uma realidade que poucos concretizam, decidir fazê-lo remete imediatamente quem está de fora para o conceito de “coragem”. Mas será realmente necessário ser alguém audaz para fazer aquilo que se ambiciona?

Após tomar a decisão de ir viver 3 meses para Cabo Verde e fazer voluntariado com crianças, foram várias as pessoas que me deram os parabéns pela minha suposta coragem. No entanto, sentia um enorme desfasamento entre o que as pessoas me diziam e aquilo que eu estava realmente a experienciar. Na verdade, eu não me sentia alguém corajoso. Corria em mim apenas a excitação e o frio na barriga de quem vai fazer algo novo, algo que já almejava há algum tempo.

Chegado a Cabo Verde, tive a felicidade de conhecer mais voluntários. E o que tínhamos em comum para além da vontade de fazer um voluntariado internacional? Ora pois bem, o rótulo de “corajoso” e o facto de não o entendermos.

Este título de “corajoso”, que se atribui frequentemente a alguém que faz algo de diferente, permite-me constatar o quão invertida está a sociedade em que vivemos. Afinal quem será mais corajoso? Aquele que sabe o que quer fazer mas adia sem nunca procurar efectivamente meios para o atingir; ou aquele que segue a sua intuição e busca nutrir-se com experiências que o preencham? Na minha opinião, apesar de na segunda hipótese existir o factor “ir ao desconhecido”, optar pelo primeiro cenário requer sempre mais coragem.

Muita gente entrincheira-se na ideia de que lhe faltam meios, sejam eles financeiros e/ou temporais. Isso até pode ser parcialmente verdade, no entanto não é um impedimento à busca efectiva por soluções que visem o alcançar do objectivo. Ponho-me a pensar, se fosse mesmo uma prioridade não iriam arranjar uma forma de criar condições? Felizmente, aqui no Tarrafal, pude encontrar voluntários nas mais diversas situações: estudante, desempregado, férias e licença sem vencimento. Com mais ou menos esforço, cada um de nós encontrou forma do rebento brotar por entre as pedras da calçada.

Como dizia Denis Waitley “the real risk is doing nothing”. Não podia estar mais de acordo. O verdadeiro risco, aquele que requer mais coragem, é não fazer nada por aquilo que queremos. Corajoso é aquele que adia a vida, cancela os sonhos por receio de não os alcançar e reprime a sua intuição. É realmente necessária uma coragem abissal para não ser aquilo que somos.

Adiar a vida um dia deixará de ser opção e aí só nos resta mergulhar na frustração. Será que valeu a pena “jogar pelo seguro”? Será que o medo de sair da zona de conforto e fracassar compensou? A ânsia de esquivar daquilo que consideramos um grande sofrimento leva-nos a fazer um pacto com a mediocridade. Por isso, não fazemos nada e vamos fingindo ser felizes.

É prioritário fazer aquilo que nos satisfaz mesmo que se pareça com algo irracional. Ainda há tempo para nos focarmos nas soluções. Nunca é tarde para viver a nossa melhor vida. “Mudar é difícil, mas não mudar é fatal”. Subir a montanha custa. Mas quando se chega lá a cima, a vista é demasiado boa para ainda nos doerem as pernas!

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